Há uma competência que raramente se vê nas pautas e nos relatórios, e que decide muito do que acontece numa escola: saber discordar sem magoar. Discordar de um colega no recreio, de um professor numa avaliação, de uma regra que parece injusta ou, no caso dos mais crescidos, de uma opinião numa sala cheia.
Esta capacidade não nasce feita. Aprende-se aos poucos, em cada etapa. Na creche e no pré-escolar, discordar ainda é dizer «não» em voz alta, e a nossa tarefa é ajudar a criança a encontrar palavras para isso. No 1.º ciclo, é aprender a esperar pela vez de falar e a ouvir até ao fim. Nos ciclos seguintes, é dar razões em vez de levantar a voz. No secundário, é conseguir mudar de ideias sem sentir que se perdeu. Em todas as fases, o aluno precisa de um adulto atento por perto, que não resolva tudo por ele, mas que também não o deixe sozinho.
Visito salas todas as semanas e reparo que os melhores momentos de aula raramente são os de acordo total. São aqueles em que alguém diz «eu vejo isto de outra maneira» e a turma tem de parar para pensar. Um professor que acolhe essa frase sem se ofender, e um aluno que a diz sem querer ofender, estão ao mesmo tempo a aprender e a exercer cidadania.
Em casa, o princípio é o mesmo. Discordar à mesa, com calma, e perceber que a relação sobrevive à conversa é uma das lições mais úteis que um filho pode levar para a vida adulta. Ajuda muito que nos vejam discordar bem, entre adultos, e pedir desculpa quando exageramos. Discordar bem também se ensina.
Porque acreditamos que educar é preparar para a vida. Contem connosco.
Fernando Fidalgo · Diretor Pedagógico Geral
Se perguntarmos a um aluno, a um professor ou a um pai quando é que o ano letivo custa mais, a resposta mais honesta é: agora. Não é em setembro, que traz novidade, nem em junho, que traz o fim à vista. É esta fase longa do primeiro período, em que o arranque já passou e o Natal ainda vem longe.
Será que a solução é pedir mais entusiasmo? Não creio. A energia de uma criança não é a mesma todos os dias, nem todos os meses. Há semanas em que rende muito e outras em que parece que nada avança. Um aluno que abranda em outubro não está necessariamente a desistir. Pode estar apenas cansado e precisar que um adulto repare nisso antes de lhe pedir mais.
Ajudam as coisas simples, que raramente parecem importantes. Dormir as horas que a idade exige. Deixar o telemóvel fora do quarto à noite, para que o sono não seja interrompido. Deixar que o aluno organize sozinho a sua semana, mesmo que se engane, porque quem escolhe o caminho cansa-se menos do que quem o recebe feito. E guardar todos os dias algum tempo livre para brincar, sem horário e sem tarefas, aos 4 ou aos 16 anos.
Do nosso lado, prometemos o que pedimos: paciência. E, se o vosso filho chegar a casa a arrastar a mochila, comecem por um lanche e por ouvi-lo, antes de perguntarem pelos trabalhos. Contem connosco, vamos falando.
Para uma criança pequena, ser responsável não é cumprir uma lista de tarefas: é perceber que aquilo que faz tem efeito nos outros.
Deixamos algumas ideias para trabalhar este valor em casa, ao longo do mês.
Escolham, em conjunto, uma pequena responsabilidade diária adequada à idade: pôr o guardanapo na mesa, levar o copo à banca, guardar os sapatos. O importante é ser sempre a mesma, para que a criança a sinta como sua.
Uma planta à janela, regada pela criança duas vezes por semana, ensina mais sobre compromisso do que qualquer explicação. Se a planta murchar, é uma boa conversa; se crescer, é uma boa celebração.
Ao domingo, cada elemento da família assume um compromisso simples para os sete dias seguintes, adultos incluídos. No fim da semana, falem sobre o que correu bem e sobre o que ficou por cumprir, sem dramatismo.
Quando algo corre mal, ajudem a criança a reparar: limpar o que se entornou, pedir desculpa, voltar a arrumar. Reparar ensina que um erro se resolve, e é isso que dá segurança a uma criança.
Uma nota final: o que mais convence uma criança é ver os adultos a cumprirem o que prometem, sobretudo nas coisas pequenas.
Outubro | Conversar com os filhos sobre o dia
«Como correu o dia?» «Bem.» «O que fizeste?» «Nada.» Quase todas as famílias conhecem esta conversa. Não é desinteresse. Muitas vezes, a criança chega a casa cansada e, perante uma pergunta muito geral, responde com uma só palavra.
O Gabinete Psicopedagógico deixa algumas ideias simples para tornar estas conversas mais fáceis e mais ricas.
Pequenas mudanças na pergunta e no momento fazem muita diferença.
Perguntas concretas recebem respostas mais longas. Em vez de «Como correu o dia?», experimente «O que fizeste de que mais gostaste?» ou «Com quem brincaste?».
Nem sempre é à chegada a casa. O caminho de carro, o lanche ou a hora de deitar costumam ser melhores ocasiões. Dar algum tempo para descontrair também ajuda.
Ouvir sem interromper e sem corrigir. Quando a criança sente que é ouvida, volta a contar. Se contar um problema, reconheça primeiro o que sentiu, antes de procurar uma solução.
Ainda não contam o dia por palavras. Pode ser o adulto a falar do que sabe que aconteceu, como «Hoje brincaste na areia!». Dar nome às emoções e aos momentos ajuda a linguagem a crescer.
Funcionam melhor as perguntas simples e concretas, como «Quem se sentou ao teu lado?». Os desenhos e as brincadeiras também contam o dia. Pode pedir à criança que lhe mostre o que fez.
Pedir que ensine algo que aprendeu ou que mostre os trabalhos torna a conversa mais natural do que um interrogatório. Silêncios prolongados merecem uma conversa calma.
Com a pré-adolescência, as respostas tendem a encurtar. Conversar enquanto se faz outra coisa, como cozinhar ou passear, costuma ser mais fácil do que frente a frente. Respeitar o que o jovem quer guardar para si, mantendo sempre a porta aberta.
Os jovens falam quando sentem que não vão ser julgados. Mostrar curiosidade pelos seus interesses, partilhar também o seu dia e evitar que todas as conversas girem em torno das notas.
Vale a pena estar atento a sinais que se prolongam: mudanças de humor, isolamento, recusa em ir à escola ou desinteresse repentino por aquilo de que antes gostava. Perante estes sinais, convém conversar com calma com o seu filho e, se necessário, falar com o diretor de turma ou com o Gabinete Psicopedagógico.
Desejamos a toda a comunidade escolar muitas boas conversas.
Semana de 12 a 16 de outubro de 2026
| 2.ª feira | 3.ª feira | 4.ª feira | 5.ª feira | 6.ª feira | |
|---|---|---|---|---|---|
| Reforço da manhã | Fruta | Fruta | Fruta | Fruta | Fruta |
| Sopa | Creme de legumes | Creme de beterraba | Sopa de nabiças | Creme de alho francês | Sopa de espinafres |
| Prato · 1 ano | Arroz com frango, grão de bico e curgete | Massa com pescada, salada de alface e pepino | Peru com batata e feijão verde | Perca com arroz, salada de couve roxa e tomate | Bife de frango com massa, salada de Outono (couve coração, cenoura e beterraba) |
| Prato · 2 anos | Estufado de grão de bico com tomate, curgete e arroz | Massada de bacalhau, salada de alface e pepino | Peru assado com batata, puré de maçã e feijão verde | Empadão de arroz e atum, salada de couve roxa e tomate | Bife de frango com massa, salada de Outono (couve coração, cenoura e beterraba) |
| Sobremesa | Fruta | Fruta | Fruta | Fruta | Fruta |
| Lanche · 1 ano | Papa de arroz e maçã | Pão com queijo e fruta | Iogurte natural com aveia e banana | Pão com queijo fresco e fruta | Iogurte natural e pão simples ou com manteiga de amendoim¹ |
| Lanche · 2 anos | Pão de água com manteiga | Pão com queijo fatiado e fruta | Iogurte natural com aveia e banana | Pão de mistura com queijo creme e leite simples | Iogurte natural e pão com compota¹ ou manteiga de amendoim¹ |
| 2.ª feira | 3.ª feira | 4.ª feira | 5.ª feira | 6.ª feira | |
|---|---|---|---|---|---|
| Reforço da manhã · pré-escolar | Fruta e pão | Palitos de cenoura e bolachas cream cracker | Fruta e pão | Fruta e tostas | Fruta e pão |
| Reforço da manhã · 1.º ciclo | Infusão, pão e fruta | Palitos de cenoura e bolachas cream cracker | Leite e pão | Iogurte e tostas | Leite e pão |
| Sopa | Creme de legumes | Creme de beterraba | Sopa de nabiças | Creme de alho francês | Sopa de espinafres |
| Prato geral | Estufado de grão de bico com tomate, curgete e arroz | Massada de bacalhau, salada de alface e pepino | Peru assado com batata, puré de maçã e feijão verde | Empadão de arroz e atum, salada de couve roxa e tomate | Bife de frango com massa, salada de Outono (couve coração, cenoura e beterraba) |
| Prato vegetariano | Estufado de grão de bico com tomate, curgete e arroz | Massada de favas, salada de alface e pepino | Tofu assado com batata, puré de maçã e feijão verde | Empadão de arroz e lentilhas, salada de couve roxa e tomate | Estufado de feijão vermelho com abóbora e massa, salada de Outono (couve coração, cenoura e beterraba) |
| Sobremesa | Fruta | Fruta | Fruta | Fruta | Fruta |
| Lanche | Pão de água com manteiga e leite com chocolate (opcional) | Limonada, pão com queijo fatiado e fruta | Iogurte sólido com fruta e cereais ou aveia | Pão de mistura com queijo creme e leite simples | Pão integral com compota¹ e iogurte líquido |
Nota: ¹ Sem açúcares adicionados.
Existe a opção de dieta quando solicitada no próprio dia até às 10h00. Para mais informação sobre alergénios, contacte a nossa equipa.
A ementa pode sofrer alterações por motivos imprevistos.
Mariana Bessa · Nutricionista I 1220N
Porque educar é um caminho partilhado, esta newsletter traz-lhe as notícias, as conquistas e o que vem a seguir, semana após semana.